

Uma audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira (13), na Câmara de Vereadores de Feira de Santana, discutiu os desafios do sistema de regulação na saúde pública do município. O encontro foi solicitado pela Comissão de Saúde, Assistência Social e Desporto da Casa.

Durante o debate, o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, destacou a complexidade do tema e alertou para a necessidade de aprofundamento nas discussões.
“Regulação é um tema complexo, que não pode ser debatido de forma superficial, sob pena de não contribuirmos com um debate público, técnico e efetivo”, afirmou.

Segundo o secretário, a regulação envolve diferentes frentes, como a ambulatorial e a de leitos hospitalares. Ele explicou que a regulação ambulatorial é gerida pelo município, enquanto a de leitos hospitalares é de responsabilidade da central estadual. “O município não tem gestão sobre esse processo operacional”, pontuou ao Acorda Cidade.
Rodrigo Matos também destacou ações adotadas pela prefeitura para reduzir a pressão sobre o sistema, como a ampliação da oferta de consultas na atenção básica e especializada, buscando evitar o agravamento dos quadros clínicos.

Autor da solicitação da audiência, o vereador Luís Augusto de Jesus, o Lulinha (União Brasil), reforçou as dificuldades enfrentadas pela população.
“O paciente passa mal, vai para uma UPA ou policlínica, é estabilizado, mas precisa ser regulado para um hospital de referência. O que está acontecendo é uma demora muito grande nessa fila”, afirmou.

O vereador relatou situações críticas enfrentadas por pacientes. “Tem pessoas sofrendo em cadeiras, esperando cinco, seis, sete dias. Isso é desumano. Muitos precisam de regulação com urgência e não conseguem”, disse.

Ele também alertou para o agravamento dos casos. “Com essa demora, o quadro do paciente piora. Quando consegue a vaga, às vezes já está em estado muito grave ou nem pode mais ser transferido”, declarou.
Lulinha ainda citou casos recentes. “Tem acontecido mortes nas policlínicas e UPAs. Ontem mesmo, fiquei sabendo de um caso de uma pessoa que morreu sem conseguir regulação. Tivemos outros casos recentes, como o de pacientes que aguardaram dias e não resistiram”, afirmou.
O parlamentar criticou a ausência de representantes do Governo do Estado na audiência. “Convidamos todos os órgãos do estado, deputados e autoridades, mas parece que não haverá representantes para tratar desse assunto tão importante”, disse ao Acorda Cidade.
Sobre possíveis soluções, o vereador defendeu mais agilidade no sistema. “Os casos mais urgentes deveriam ser resolvidos em até 24 horas, como está previsto, mas isso não acontece”, pontuou.
Ele também criticou transferências para cidades distantes. “Tem paciente sendo enviado para mais de 300 quilômetros de distância, sem suporte para a família. Enquanto isso, a gente vê dificuldade de vaga aqui mesmo em Feira ou em Salvador”, afirmou.
Ao final, Lulinha destacou a necessidade de maior integração entre os entes públicos. “A atenção básica o município tem feito sua parte, mas o estado precisa cumprir a obrigação de regular os pacientes dentro do prazo”, concluiu.
Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade
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