
A 14ª edição do Julho das Pretas já está em construção. Em 2026, o mês de luta, incidência política e celebração internacional traz como tema “Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver”. Construído coletivamente por movimentos, organizações, coletivos, escolas, meninas e mulheres negras de diferentes territórios, o tema reafirma a continuidade de uma luta histórica por justiça racial e gênero.
Organizado pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), pela Rede de Mulheres Negras do Nordeste e pela Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira, o Julho das Pretas, foi criado em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, como uma ação de incidência política inspirada no Dia Internacional da Mulher Negra
Afro-Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.
Ao longo de sua trajetória, a agenda tornou-se uma das principais expressões da organização política das mulheres negras no Brasil, realizando anualmente uma agenda coletiva com atividades nos diversos territórios do país. A programação reúne ações políticas, culturais, formativas e comunitárias que expressam a potência do movimento de mulheres negras na denúncia das desigualdades, na formulação de propostas e na construção de caminhos orientados pela Reparação e pelo Bem Viver.
As inscrições para compor a Agenda Coletiva do Julho das Pretas 2026 podem ser realizadas clicando aqui e seguem até o dia 10 de junho. Podem ser inscritas atividades como rodas de conversa, festivais, exposições, ciclos de formação política, seminários, marchas, ações culturais, encontros comunitários e outras iniciativas alinhadas ao tema da edição e aos princípios da luta contra o racismo patriarcal.
Podem se inscrever organizações e coletivos de mulheres negras, movimentos negros,
instituições de ensino, grupos de pesquisa, associações trabalhistas, grupos de
empreendedoras negras, empreendedoras negras individuais, professoras, estudantes e ativistas. Propostas de autarquias, partidos políticos e empresas privadas não serão
consideradas.
Um movimento global de mulheres negras
A escolha do tema do Julho das Pretas 2026 também faz memória à Marcha de Mulheres
Negras por Reparação e Bem Viver, realizada em 25 de novembro de 2025, que reuniu mais de 300 mil mulheres, de 40 países do mundo, em Brasília (DF). A mobilização marcou um momento histórico de afirmação da força política das mulheres negras e ampliou a dimensão internacional dessa agenda, fortalecendo alianças entre mulheres negras brasileiras, afro-latino-americanas, caribenhas, africanas e da Diáspora.
“Reparação e Bem Viver expressam um projeto político tecido a partir das experiências,
memórias, resistências e saberes das mulheres negras, que há séculos enfrentam os efeitos do racismo, do patriarcado, do colonialismo, da exploração econômica e da negação de direitos”, comenta Naiara Leite, coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra, e membra da coordenação da Rede de Mulheres Negras do Nordeste.
O Julho das Pretas 2026, no contexto pós Marcha, assume uma escala ainda mais global. A expectativa é que, mais do que em anos anteriores, mulheres negras de outros países
participem de forma ativa da agenda, propondo atividades, compartilhando experiências,
fortalecendo redes transnacionais e ampliando o debate sobre Reparação e Bem Viver para além das fronteiras brasileiras.
“Essa presença internacional identifica que as violências produzidas pelo racismo e pelo
colonialismo atravessam diferentes territórios locais, mas também que as respostas
construídas pelas mulheres negras têm força coletiva, em redes locais e globais. A luta
insurgentes contra as opressões tem dimensões internacionalistas”, afirma Janira Sodré, do
Instituto Pretas de Angola, e representante da coordenação da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB).
Maria das Dores do Rosário, conhecida como Durica, ativista do Instituto de Mulheres Negras do Amapá (Imena) destaca que o Julho das Pretas é um espaço de denúncia e construção coletiva. “Em 2026, seguir em marcha é também denunciar as violências que atravessam a vida das mulheres negras cotidianamente. São elas que, de forma desproporcional, enfrentam a precarização do trabalho, a sobrecarga do cuidado, a violência doméstica e institucional, a insegurança alimentar, a ausência de políticas públicas, o racismo religioso, a criminalização de seus territórios e o genocídio da população negra.”
Por isso, o Julho das Pretas mantém viva a convocação para que mulheres negras,
organizações e movimentos sigam fortalecendo suas vozes, agendas e estratégias de
enfrentamento ao racismo patriarcal. A edição deste ano renova o compromisso coletivo com a justiça social, os direitos, a memória ancestral e a construção de um futuro em que viver com dignidade não seja privilégio, mas direito de todas as pessoas.
Clique aqui e inscreva a atividade da sua organização até 10 de junho.
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