29 de September de 2026
Candidatos ao Governo da Bahia
Candidatos ao Governo da Bahia | Foto: Reprodução / Redes Sociais

Conhecimento é poder. Com a aproximação do 1º turno das eleições de 2026, é fundamental que cada eleitor conheça um pouco melhor o candidato ou candidata que pretende depositar a própria confiança ao dar um voto. E talvez uma das melhores formas de saber o que o político pretende fazer é olhar para os compromissos que ele ou ela assume.

E nesta busca por informações, os eleitores podem contar com o Plano de Governo. A ferramenta é um documento oficial onde candidatos a cargos do Poder Executivo, como o de governador e presidente, detalham as próprias propostas, ideias e metas para administrar o estado ou o país.

Sabendo da importância do tema, o Acorda Cidade resolveu dar destaque às principais propostas de todos os seis candidatos ao governo da Bahia nas eleições de ano. Os programas foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reúnem medidas que vão desde a ampliação de serviços públicos e estatizações até mudanças na política de segurança pública do estado.

🔎Confira abaixo o resumo dos planos de governo e as principais propostas dos candidatos.

Resumo dos Planos de Governo

  • ACM Neto (União Brasil): O plano de governo do candidato estrutura as propostas nas chamadas “Três Trindades da Mudança”: Vida Digna (Segurança, Saúde e Educação), Prosperidade Territorial (Emprego, Infraestrutura, Habitação e Promoção Social) e Futuro Baiano (Cultura, Meio Ambiente e Inovação). (👉🏿Confira o plano completo)
  • Ariel Capistrano (DC): O plano do candidato é apresentado sob o slogan “Terceira Via – Uma Bahia para Todos”. O programa prioriza basicamente a eficiência na gestão pública, valores da família, combate à corrupção, transparência e fortalecimento dos serviços essenciais como saúde, educação, segurança e infraestrutura. (👉🏿Confira o plano completo)
  • Aroldo Félix (UP): Apresenta um plano de governo sob o lema “Por uma Bahia do Povo Trabalhador”, fundamentado em 15 pontos centrais. O plano propõe uma reorganização do Estado baiano focada no fortalecimento do setor público, na garantia de direitos sociais, na valorização da classe trabalhadora, no combate às opressões e na soberania sobre os recursos naturais. (👉🏿Confira o plano completo)
  • Jerônimo Rodrigues (PT): O plano do atual governador do estado é baseado no Programa de Governo Participativo (PGP), sob o lema “A Bahia que avança, cuida e transforma”, e defende a continuidade do projeto político atual alinhado ao Governo Federal, enfatizando a Política Estadual de Cuidados, o combate à fome (programa Bahia Sem Fome), a inclusão social, a igualdade racial, a transição energética e o desenvolvimento territorial sustentável. (👉🏿Confira o plano completo)
  • Maria Bona (PCO): O plano apresenta o programa de Luta Operária focado nas reivindicações da classe trabalhadora (“Por salário, trabalho e terra”). Propõe a revolução socialista, o governo operário, a revogação de todas as reformas trabalhistas e previdenciárias, a estatização/nacionalização total de empresas estratégicas e recursos naturais, além do fim do sistema financeiro privado. (👉🏿Confira o plano completo)
  • Ronaldo Mansur (PSOL): O plano propõe um Programa Democrático e Popular como alternativa à polarização tradicional entre o carlismo e o PT. Prioriza a reparação histórica (antirracista, indígena e de gênero), o fortalecimento do mercado interno, a moratória negociada da dívida estadual, a reforma agrária, a estatização dos serviços públicos e um modelo de segurança pública cidadão e desmilitarizado. (👉🏿Confira o plano completo)
  • ACM Neto propõe a reestruturação da Central de Regulação com base no modelo CROSS/SP, com critérios estritamente clínicos e transparência. Estabelece a meta de “Fila Zero” para emergências como AVC, infarto, trauma e parto de alto risco. Criar o programa PIX Saúde para comprar vagas e procedimentos na rede privada e filantrópica quando faltar oferta pública, propõe a reforma do Planserv, a implantação do Corujão da Saúde, centros regionais de oncologia e saúde mental/autismo e o programa Vida Pet Bahia para a saúde animal.
  • Ariel Capistrano foca no fortalecimento da atenção básica e na ampliação do número de leitos hospitalares. Propõe a construção e modernização de hospitais regionais, unidades móveis de atendimento, reestruturação da regulação para redução de filas de exames e cirurgias, além da ampliação do suporte psicológico e psiquiátrico.
  • Aroldo Félix defende o fim de todos os contratos privados na área da saúde e o fim do sistema tradicional de regulação de pacientes. Propõe a capilarização de hospitais e leitos de alta complexidade em todo o interior do estado e a obrigatoriedade de que todos os políticos utilizem o SUS.
  • Jerônimo Rodrigues prevê a revisão do Plano Diretor de Regionalização do SUS e a transformação digital do sistema por meio do “Saúde na Palma das Mãos” e da Policlínica Digital Bahia. Propõe a construção de 450 UBS (sendo 39 indígenas), 6 novas Policlínicas Regionais, 5 novos hospitais/maternidades estaduais, 20 Centros Especializados em Reabilitação (CER), 38 novos CAPS e a reestruturação da Bahiafarma.
  • Maria Bona defende uma saúde 100% pública e gratuita sem limite de gastos. Propõe um plano de emergência para construção de hospitais e postos, o retorno do programa Mais Médicos com validação imediata de diplomas estrangeiros, a abertura de vagas em cursos de medicina e enfermagem sem vestibular no ensino público e um piso salarial de R$ 8 mil para os profissionais da saúde.
  • Ronaldo Mansur propõe um SUS 100% público e estatal, revertendo privatizações, terceirizações e a gestão por Organizações Sociais (OSs). Prioriza a Atenção Básica como ordenadora da rede, o fortalecimento do CAPS/RAPS, a regulamentação medicinal e recreativa da cannabis e o combate à violência obstétrica.
  • ACM Neto prioriza a cobrança pela conclusão das obras federais da Fiol e do Porto Sul, a execução de um Plano Emergencial de Recuperação Rodoviária, a implantação do Plano de Transporte Aquaviário de Passageiros na Baía de Todos os Santos, o programa Via Náutica, o incentivo a ramais ferroviários curtos (short lines) e a atualização do Plano Aeroviário Estadual.
  • Ariel Capistrano propõe a recuperação e duplicação da malha rodoviária estadual, a construção de pontes e viadutos, investimentos em mobilidade urbana e a modernização de portos e aeroportos.
  • Aroldo Félix defende a implementação do transporte público gratuito e de qualidade (Passe Livre). Propõe a reversão de todas as privatizações e concessões públicas de transportes, portos, aeroportos, ferrovias e metrovias.
  • Jerônimo Rodrigues promete a pavimentação e recuperação de 4.000 km de rodovias estaduais. Na mobilidade urbana, prevê a conclusão do Tramo IV da Linha 1 do Metrô, a expansão do VLT de Salvador e a construção do VLT Camaçari-Alagoinhas. Na logística, destaca a execução da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica e a ampliação da Fiol/Porto Sul.
  • Maria Bona propõe Passe Livre nos transportes para desempregados e trabalhadores informais, juntamente com a estatização total das empresas de transporte sob o controle direto dos trabalhadores.
  • Ronaldo Mansur trata a mobilidade urbana como direito social e defende o Passe Livre. Prioriza os transportes públicos coletivos sobre o automóvel individual (ferroviário, fluvial e metroviário), a expansão do Metrô e a investigação dos contratos da Ponte Salvador-Itaparica e da Arena Fonte Nova.
  • ACM Neto propõe revogar a Portaria nº 190/2024 (“aprovação automática”) e implantar o Programa Estadual de Recomposição das Aprendizagens. Foca na alfabetização na idade certa no 2º ano, no programa Bahia Alfabetiza 60+, na expansão do ensino médio integral vocacionado e integrado ao Sistema S/Senai Cimatec, na criação do Provão Bahia (vestibular seriado com vagas reservadas nas universidades estaduais), na seleção técnica para diretores escolares e no Programa Escola Digital.
  • Ariel Capistrano defende a implantação de escolas cívico-militares, a expansão do ensino profissionalizante e técnico, a valorização dos professores, a modernização das escolas e a ampliação da conectividade à internet.
  • Aroldo Félix propõe destinar 10% do PIB da Bahia para a educação pública. Exige o fim do sucateamento das escolas e universidades estaduais, a contratação imediata de profissionais, a garantia do piso nacional com aumento real de salários e a obrigatoriedade de que políticos utilizem a escola pública.
  • Jerônimo Rodrigues defende a universalização do ensino em tempo integral nas escolas estaduais e a requalificação da infraestrutura escolar. Destaca o Selo Município Alfabetizador Bahia, o programa Aprender Mais Bahia, a expansão da EJA integrada à Educação Profissional e Tecnológica (EPT), o fortalecimento do Bolsa Presença, a ampliação de campi universitários e o projeto Capoeira nas Escolas.
  • Maria Bona propõe ensino público, gratuito e laico em todos os níveis, com o fim dos vestibulares e livre ingresso no ensino superior. Defende piso salarial de R$ 8,5 mil para os professores, jornada máxima de 30 horas semanais, estatização do ensino privado, eleição direta para diretores com gestão tripartite e o fim da proibição do uso de celulares nas escolas.
  • Ronaldo Mansur defende a educação democrática e pelo cumprimento estrito do piso salarial nacional do magistério com planos de carreira. Exige a erradicação do analfabetismo com fortalecimento e reabertura de turmas da EJA, eleição direta para diretores e colegiados escolares, educação diferenciada do campo, quilombola e indígena, além do cumprimento rigoroso da Lei 10.639/03 (ensino de História e Cultura Afro-Brasileira).
  • ACM Neto propõe criar a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) para centralizar concessões, PPPs e atração de capital privado. Prevê a revitalização dos 15 Distritos Industriais, a cobrança ativa por obras federais e a atração de investimento privado para universalização do saneamento.
  • Ariel Capistrano foca no investimento para ampliação do saneamento básico, expansão do acesso à água potável, recuperação e expansão de estradas, pontes, viadutos, portos e aeroportos.
  • Aroldo Félix defende a reestatização do Derba para gestão da infraestrutura de transportes. Propõe um programa de moradia popular focado na transformação de prédios públicos e privados abandonados sem função social em habitação, além da criação de uma empresa pública de energia baiana e a defesa da Petrobrás 100% pública.
  • Jerônimo Rodrigues foca na execução de grandes obras como a Ponte Salvador-Itaparica, Fiol, Porto Sul e duplicações rodoviárias. Na infraestrutura social e urbana, prevê contenção de encostas e macrodrenagem, requalificação dos CSUs, expansão do esgotamento sanitário, construção de novas barragens (Angelin, Rio Utinga, etc.) e combate às perdas de água.
  • Maria Bona propõe o cancelamento de todas as privatizações e a reestatização sem indenização de empresas e estruturas privatizadas. Defende um plano nacional de obras públicas para moradia, saneamento e infraestrutura sob gestão direta dos trabalhadores.
  • Ronaldo Mansur posiciona-se contrariamente à privatização de estatais como a Embasa. Defende um programa massivo de urbanização de periferias e favelas (saneamento, água, drenagem, contenção de riscos), produção habitacional por autogestão e garantia do direito humano ao saneamento 100% público.
  • ACM Neto propõe a governança territorial por meio do DNA da Bahia (inteligência territorial nos 27 Territórios de Identidade). Reformula o programa de incentivo fiscal Desenvolve (exigindo contrapartida de conteúdo local), prepara o estado para o FNDR (Reforma Tributária), cria o programa Cresce Bahia para MPEs (crédito com garantia e pós-crédito) e o plano Bahia 365 para o turismo. Incentiva a agroindustrialização (Matopiba, cadeia têxtil do algodão) e cria os programas Geração Trabalho e Treinar para Empregar Bahia.
  • Ariel Capistrano defende incentivos fiscais para atração de empresas, redução da burocracia para abertura de novos negócios, estímulo ao empreendedorismo, qualificação profissional, fomento ao comércio, indústria, serviços e economia criativa, além de crédito rural para a agricultura familiar.
  • Aroldo Félix propõe aumento de 100% no salário-mínimo e a criação do salário-mínimo baiano. Defende o fim da escala 6×1 e redução da jornada para 36h semanais, o controle de preços dos alimentos com a reestatização da Cesta do Povo, a reestatização de empresas públicas (EBAL, EBDA, Bahiatursa, Derba) e a suspensão com auditoria do pagamento da dívida pública estadual. Exige o combate e expropriação de empresas que pratiquem trabalho análogo à escravidão, a realização de concursos públicos com efetivação de contratados Reda e a equiparação salarial do governador e deputados ao salário dos professores públicos.
  • Jerônimo Rodrigues baseia-se na neoindustrialização e atração de grandes investimentos em transição energética (BYD, Acelen/SAF, Hidrogênio Verde, minerais críticos). Fortalece o Desenbahia, apoia a agricultura familiar e o agronegócio, promove a economia solidária pelo programa Vida Melhor Urbano, incentiva a qualificação profissional (Qualifica Bahia, Credibahia) e a promoção comercial externa em parceria com a ApexBrasil.
  • Maria Bona defende a reposição de 100% das perdas salariais com aumento emergencial de 50%, a escala móvel de salários, o salário mínimo vital de R$ 7.500 e a anulação das dívidas dos trabalhadores com o sistema financeiro. Propõe a redução da jornada para 35 horas semanais sem redução salarial, a proibição de demissões e despejos, a estatização do sistema financeiro, o cancelamento das dívidas pública e externa e a reforma agrária com expropriação do latifúndio.
  • Ronaldo Mansur propõe a moratória negociada do acordo da dívida pública do Estado com a União. Reorienta a economia para o mercado interno, agroecologia, agricultura familiar, cooperativas e bancos populares. Defende a instituição de um salário-mínimo regional superior ao nacional, apoio à escala 6×1 e redução da jornada, reforma tributária progressiva e combate à fome via cozinhas comunitárias, cestas de alimentos e vale-gás para baixa renda.
  • ACM Neto deseja implantar a Governadoria da Segurança (comando direto e encontro semanal do Governador). Aplica Tolerância Zero nos presídios (bloqueio total de celular e drones, isolamento de lideranças em segurança máxima, programa Bahia Trabalha de trabalho prisional remunerado). Expande a Muralha Digital, reconhecimento facial, LPR e drones térmicos. Fortalece a Deccor para asfixia financeira de facções.
  • Ariel Capistrano propõe a ampliação do efetivo das Polícias Civil, Militar e Técnica, investimentos em inteligência, tecnologia e videomonitoramento, criação de delegacias especializadas regionalizadas, reforço do policiamento urbano e rural, fortalecimento das guardas municipais e centros regionais de perícia técnica para combate ao tráfico de drogas e crime organizado.
  • Aroldo Félix defende a desmilitarização das polícias, formação obrigatória dos agentes em direitos humanos, uso de câmeras no fardamento de todos os policiais e o combate à letalidade policial e ao genocídio do povo negro. Prevê a ampliação de DEAMs por todo o estado e a criação de casas de referência com suporte psicossocial, jurídico e abrigo para mulheres.
  • Jerônimo Rodrigues foca no Policiamento Orientado pela Inteligência com a Plataforma Integrada de Dados. Expande câmeras corporais, videomonitoramento inteligente e reconhecimento facial. Ampliar o programa Bahia pela Paz, traz o combate organizações criminosas com foco em investigação patrimonial e lavagem de dinheiro, moderniza batalhões e delegacias, cria a Escola de Governo da Segurança Pública, apoia a saúde mental dos agentes, reestrutura o sistema penitenciário e expande as DEAMs 24h, Ronda e Pelotão Maria da Penha.
  • Maria Bona propõe a dissolução imediata da Polícia Militar (PM) e de todo o aparato repressivo do Estado. Defende o direito irrestrito de autodefesa e o armamento dos trabalhadores da cidade, do campo e das comunidades indígenas por meio de comitês de autodefesa, além do fim do encarceramento em massa.
  • Ronaldo Mansur defende a mudança para um modelo de segurança cidadã, desmilitarizado e desvinculado da lógica punitivista e da “guerra às drogas”. Propõe a criação de uma polícia civil unificada de ciclo completo, uso obrigatório de câmeras em todos os policiais em serviço, fim dos “autos de resistência”, instituição de peritagem independente e investigações autônomas pelo Ministério Público. Prevê apoio psicossocial e indenização às vítimas da violência policial de Estado, além do fortalecimento das DEAMs 24h, patrulhas Maria da Penha e combate ao feminicídio e à LGBTfobia.

Com informações do jornalista Jefferson Araújo, do Acorda Cidade.

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