29 de October de 2026
Imagem: Agência Brasil

Receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC) não garante acesso ao adicional de 25% que o INSS oferece. Mesmo quando a pessoa depende permanentemente de ajuda para se banhar, comer ou sair de casa.

Esse acréscimo existe apenas para aposentados por incapacidade permanente, desde que provem necessidade contínua de cuidados de outra pessoa.

Uma corte Federal confirmou recentemente essa restrição ao negar o benefício extra a um segurado que recebia o BPC. Os magistrados ressaltaram que nenhuma lei autoriza estender o pagamento a quem está no programa assistencial, diferentemente do que ocorre com as aposentadorias por invalidez.

Por que o BPC fica de fora do adicional e quem de fato pode contar com os 25% a mais?

O BPC funciona como transferência de renda, regulado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), e paga um salário mínimo todos os meses para deficientes e maiores de 65 anos com renda baixa.

Diferentemente de outros benefícios do INSS, não é preciso ter contribuído ao instituto para acessá-lo, a análise foca apenas na necessidade socioeconômica.

A aposentadoria por incapacidade permanente, antiga invalidez, segue lógica inversa: exige qualidade de segurado e comprovação documentada de impossibilidade de trabalho. Justamente essa distinção, assistencial contra previdenciário, é que bloqueia o recurso extra do cuidador. 

O Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu que ampliar benefícios dessa natureza depende de aprovação legislativa, não de interpretação administrativa.

O acréscimo se destina a quem recebe aposentadoria por incapacidade permanente e comprova depender da ajuda constante de terceira pessoa. 

O INSS avalia situações como cegueira total, paralisia dos dois braços ou das duas pernas, acamamento permanente e incapacidade total para o dia a dia. Também entram perdas de membros e deficiências mentais graves que tirem a autonomia.

Ter um diagnóstico grave não basta: o instituto faz perícia médica e social específica. O resultado determina se a pessoa realmente precisa de cuidador contratado ou se consegue se virar com apoio de parentes próximos.

Um projeto de lei em tramitação no Senado sugere adicionar 25% ao BPC para beneficiários dependentes de assistência. A proposta está, atualmente, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa. 

Enquanto não vira lei, nenhum direito automático emerge da ideia, quem espera por essa mudança continuará recebendo o valor base do benefício apenas.

Como solicitar o acréscimo se você se encaixa

Quem recebe aposentadoria por incapacidade permanente e precisa de cuidador começa pelo Meu INSS, no site ou aplicativo do instituto. Após login com CPF e senha, busca o campo “Do que você precisa?”, digita “Acréscimo de 25%” e acompanha as orientações na tela.

O INSS pode chamar o requerente para avaliação pericial e social durante o processo, então protocolar online não garante que tudo ficará à distância. Se o sistema cair, a solicitação internet pode ser retomada quando voltar.

Documentos de comprovação, como receita médica, exames, comprovante do cuidador, ajudam a agilizar a análise.

Beneficiários do BPC devem desconfiar de promessas de acesso ao adicional de 25% feitas por terceiros. A lei atual não prevê essa extensão, e apenas uma votação no Congresso mudaria essa realidade.