
Gestores que apenas supervisionam equipes, sem participar da execução dos projetos, e funcionários avessos à inovação tecnológica formam o grupo mais exposto ao avanço da inteligência artificial. Segundo uma análise feita pelo CEO do Airbnb em 2026. Para o executivo, dominar novas ferramentas e participar da execução do trabalho vai separar quem se adapta de quem fica para trás.
O CEO fez o alerta durante sua participação no podcast Invest Like the Best, no início de 2026. A declaração voltou a ganhar atenção nesta semana, e para o executivo, a inteligência artificial não atinge apenas funções operacionais. Ela também muda o papel de quem lidera equipes e exige outra forma de liderança.
Dois perfis em risco de obsolescência

O primeiro perfil é formado por gestores que apenas organizam reuniões, acompanham prazos e supervisionam tarefas, sem participar da execução dos projetos. O segundo reúne profissionais resistentes a testar ferramentas novas e pouco interessados em atualizar as próprias competências.
As duas categorias têm em comum a dificuldade de adaptar o trabalho às exigências das empresas. Isso não significa que todo profissional desses perfis perderá o emprego. O resultado também depende do setor, da função e das decisões internas de cada companhia.
Por que a liderança tradicional perde espaço
Ferramentas digitais já organizam informações, acompanham métricas e geram relatórios, tarefas que ocupavam boa parte da rotina de um chefe de equipe. Com isso, sobra menos espaço para quem administra pessoas sem entender o que a equipe produz.
Reuniões e conversas individuais continuam tendo valor, mas precisam vir acompanhadas de conhecimento prático sobre o trabalho em si. Um líder de tecnologia, por exemplo, se beneficia ao entender como os produtos nascem e de que forma a inteligência artificial interfere nesse processo; o mesmo raciocínio vale para operações, atendimento ou análise de dados.
O modelo do gestor híbrido

Essa combinação é chamada de gestão híbrida, e o gestor lidera pessoas e participa da execução. Em vez de atuar apenas como ponte entre a equipe e a diretoria, acompanha escolhas técnicas e ajuda a resolver problemas concretos do dia a dia.
Jony Ive, ex-diretor de design da Apple, foi citado como referência desse estilo, alguém que geria pessoas sem se afastar do desenvolvimento dos produtos. Orientar equipes com base em experiência real do trabalho tende a pesar mais do que ocupar apenas um cargo de comando, segundo essa visão.
Para quem lidera equipes hoje, a recomendação que fica é simples: acompanhar de perto o que a própria equipe produz, em vez de apenas supervisionar de longe.
O que muda na rotina de um gestor que quer se manter relevante
Na prática, isso significa passar menos tempo em reuniões administrativas e mais tempo entendendo o trabalho técnico da equipe. Um gestor de tecnologia não pode ficar longe do código, do design ou das ferramentas usadas pelos programadores. Um gestor de operações precisa conhecer os fluxos internos e os gargalos reais, não apenas os números de uma planilha.
Isso não quer dizer abandonar conversas individuais ou acompanhamento de pessoas, essas responsabilidades continuam sendo importantes. Mas elas agora precisam estar combinadas com participação real no trabalho. Quando um líder oferece orientação porque vivenciou os mesmos problemas que sua equipe enfrenta, a conversa ganha peso e credibilidade que nenhuma reunião de status consegue ter.
Quando a função de gestor que apenas supervisa ainda importa
O alerta de Chesky não significa que esse tipo de profissional deixará de ser necessário em todas as empresas. O impacto depende do setor, da função específica e das decisões internas da organização.
Uma pequena agência criativa pode continuar valorizando um gestor dedicado exclusivamente à liderança de pessoas, enquanto uma startup de tecnologia acelerada pela IA talvez não tenha espaço para esse modelo.
Além disso, não é porque alguém se encaixa no perfil descrito que perderá o emprego automaticamente. Essa é apenas uma tendência identificada por um CEO, a realidade de cada profissional vai depender de muitas outras variáveis além de sua postura individual diante da tecnologia.
Ser gestor híbrido significa que preciso programar ou virar especialista em IA?
Não, e ser gestor híbrido não exige que a pessoa se torne programadora, designer ou cientista de dados. O que muda é a profundidade do conhecimento sobre o trabalho. Em muitas profissões, isso pode significar dominar ferramentas de organização, análise de dados, criação de conteúdo ou atendimento ao cliente, conforme a área.
O ponto central é não se manter distante do que a equipe produz. O gestor precisa conhecer as ferramentas, entender os desafios e contribuir com ideias baseadas em experiência prática, não apenas em teoria de gestão.