
Um grupo de nove pessoas sumiu no Pacífico no fim de julho, quando tentava fazer um percurso de barco entre as ilhas de Murilo e Ruo, na Micronésia, que normalmente leva só uma hora. A travessia saiu dos trilhos quando uma tempestade atingiu o barco e o empurrou para bem longe do caminho que estava traçado.
Cinco integrantes do grupo, incluindo duas crianças, apareceram com vida após passar mais de três meses à deriva no oceano, de acordo com informações do Daily Mail. Eles foram localizados por moradores nas proximidades da ilha Fanning, em Kiribati, e puderam ser retirados do mar no domingo (1º).
Uma viagem de quase 5.400 quilômetros sem rumo
Os sobreviventes percorreram cerca de 5.400 quilômetros até chegar a Fanning, sem controle sobre a direção que o mar impôs à pequena embarcação. Assim que foram localizados, passaram a receber assistência de um pastor da região, que cuidou deles até a chegada do suporte oficial.
Equipes de saúde atenderam o grupo ainda em Kiribati, e as autoridades recomendaram transferir os sobreviventes para Kiritimati, o centro urbano mais próximo da região. O parlamentar Kaotitaake Rakoroa informou que os sobreviventes já tinham sido atendidos por profissionais de saúde na ilha.
Quatro ocupantes seguem sem paradeiro
Dos nove que partiram, quatro continuam desaparecidos, sem notícias desde o início da tempestade. Os cinco resgatados optaram por não se manifestar publicamente e pediram privacidade diante da repercussão do caso.
A Guarda Costeira dos EUA na Micronésia conduziu buscas pelo grupo, mas as interrompeu em 9 de agosto, sem resultado. Ao todo, a corporação percorreu 25 mil milhas náuticas tentando localizar a embarcação perdida.
O político micronésio Alexander Narruhn comemorou a localização dos cinco sobreviventes e disse que continua orando pelos quatro ainda desaparecidos. Segundo ele, um pedido já foi encaminhado ao presidente da Micronésia para abrir negociações diplomáticas com Kiribati e viabilizar o retorno do grupo ao país de origem.
Não é o único caso recente na região

Ventos fortes têm desviado embarcações no Pacífico nos últimos meses, multiplicando histórias semelhantes de sobrevivência no mar. Um episódio parecido aconteceu há uma semana, quando equipes de resgate encontraram Luka Rahan, de 18 anos, no trecho de mar entre Tarawa e Maiana — ele havia ficado 41 dias à deriva.
Rahan havia saído para pescar com um primo em setembro, partindo de Bougainville, na Papua-Nova Guiné, quando o motor da embarcação falhou. A dupla acabou percorrendo mais de 2.000 quilômetros até alcançar Kiribati, mas o primo não resistiu à travessia e morreu antes do resgate.
Outro episódio recente envolveu três moradores de Bougainville, encontrados perto da ilha de Kiritimati depois de cerca de 70 dias perdidos no Oceano. Os casos reforçam como as correntes e tempestades do Pacífico têm levado pequenas embarcações para distâncias muito além do planejado.
Como as pessoas à deriva conseguem sinalizar sua localização?
Quando três marinheiros ficaram à deriva no atol Pikelot, usaram folhas de palmeira para escrever a palavra “HELP” (socorro) na areia da praia, em um ponto visível do alto.
O sinal improvisado foi crucial: os helicópteros de resgate avistaram a mensagem e direcionaram os esforços de busca para o local exato.
Sinalizar a posição pode ser decisivo para ser encontrado em áreas oceânicas com extensão de mais de 200 mil quilômetros quadrados, onde ocorrem as buscas.
A Micronésia como zona de resgate frequente
A região da Micronésia, no oeste do Pacífico, não é um único país, mas um complexo formado por cerca de 600 pequenas ilhas espalhadas por uma vasta extensão oceânica e divididas em seis países. A distância entre as ilhas e o oceano aberto torna as viagens arriscadas e as operações de resgate complexas.
As buscas na região precisam cobrir áreas extensas em condições climáticas adversas. Por isso, a Guarda Costeira dos EUA trabalha em coordenação permanente com autoridades locais e forças internacionais, como as Forças de Defesa Australianas.
Casos de resgate se repetem em curtos períodos na região. Na ilha Pikelot, por exemplo, houve dois salvamentos em quatro anos. Isso mostra que essas situações fazem parte da vida na Micronésia, e não são exceções. Mesmo com a presença de autoridades internacionais, a região continua registrando casos críticos por causa da dificuldade das viagens marítimas entre ilhas tão dispersas.