
Uma corrente de solidariedade está sendo mobilizada para ajudar o radialista Beto Fernandes, de 63 anos, que enfrenta uma doença neurodegenerativa rara e progressiva, chamada Síndrome Corticobasal. Com uma trajetória marcada pela comunicação e por sua passagem por diversas emissoras de rádio da Bahia, o profissional agora precisa de apoio para custear os cuidados e o acompanhamento necessários diante do avanço da condição.
A jornalista Lineia Fernandes, cunhada do comunicador, apresentou a campanha Nossa Voz por Beto Fernandes na manhã desta quarta-feira (4), em entrevista ao programa Acorda Cidade. Ela esteve nos estúdios da Rádio Sociedade News para convidar o público de Feira e região para a Caminhada do Amor, evento de prevenção ao câncer, que acontece no próximo dia 15 de novembro.

A voz que marcou o rádio baiano precisa de solidariedade
Na oportunidade, Lineia falou sobre Beto e explicou que ele já não consegue caminhar sozinho, apresenta dificuldades para realizar atividades básicas e, atualmente, precisa se alimentar por meio de sonda.
“O ano de 2025 foi completamente desastroso em termos de do avanço da doença. Ele já não caminha sozinho, ele já não consegue se alimentar bem, ele não consegue fazer as necessidades fisiológicas dele sozinho. Beto passou por cinco neurologistas até ter o diagnóstico claro da doença, não é simples diagnosticar”, relatou Lineia ao Acorda Cidade.
O que é a Síndrome Corticobasal?
A Síndrome Corticobasal é uma condição neurológica rara que afeta regiões do cérebro responsáveis pelos movimentos, pela coordenação, pela linguagem e por algumas funções cognitivas. É progressiva, ou seja, os sintomas tendem a se agravar com o passar do tempo.
Entre as manifestações estão rigidez muscular, dificuldade para caminhar, alterações na memória e na comunicação e perda gradual da autonomia. Segundo Lineia, os sintomas apresentados por Beto começaram de maneira discreta e se agravaram com o passar do tempo.
“No início, ele começou a ter sintomas assim que parecem comuns, de repente não saber onde tinha estacionado o carro no estacionamento do shopping e aquilo foi progredindo até um dia, por exemplo, ele tava conversando com Nayara e de repente olhou pra ela e disse assim, ‘eu esqueci o seu nome’. Esses foram apenas os primeiros sintomas. Aí foi progredindo e piorando. Não sai nos exames de imagem inicialmente, eles precisaram procurar muitos médicos até conseguir fechar o diagnóstico.”
Atualmente, não existe cura comprovada nem medicamento capaz de interromper a progressão da doença. O acompanhamento envolve cuidados multidisciplinares, como fisioterapia, fonoaudiologia e assistência nutricional, que exigem recursos financeiros e são importantes para proporcionar mais conforto e qualidade de vida ao paciente.

De acordo com Lineia, além de buscar recursos para os cuidados, a família decidiu tornar pública a situação para que amigos, antigos colegas de trabalho e ouvintes possam acompanhar o momento vivido pelo comunicador.
“Quem conhece ele, quem admira ele, tem o direito de ficar sabendo, de expressar o seu carinho por ele”, afirmou Lineia.
Marcou o rádio e muitos profissionais da Bahia
Durante a entrevista, Lineia também se emocionou ao recordar a importância de Beto em sua trajetória profissional. Ela contou que, quando ainda começava na comunicação e tinha receio de assinar seus textos com o sobrenome Fernandes, herdado do pai, foi o cunhado quem a incentivou a adotar o nome profissionalmente.
A última emissora em que Beto trabalhou foi a A Tarde 104 FM. Atualmente, ele mora em Salvador, para onde se mudou há aproximadamente 20 anos, após receber um convite profissional.
Beto sempre foi uma pessoa de coração muito bom, de ajudar as outras, além de ser um talento nato para a comunicação, uma voz belíssima. Ele falava desse lado dele também, de empatia, de paixão pela vida, então não era um profissional que você via abatido, apesar dos pesares; na comunicação é natural a gente passar desafios, quem é CLT, às vezes atrasava salário, às vezes a rádio entrava em crise, naquela época dos anos 90, isso era muito comum, então ele sempre foi uma pessoa muito altiva, de botar todo mundo para cima, além de ser um cara extremamente culto”, disse a jornalista emocionada.
A jornalista contou ainda que, quando trabalhava com Beto, não imaginava que, anos depois, apresentaria o radialista à sua irmã, Nayara Fernandes, durante uma Micareta de Feira. O encontro deu início a um relacionamento que já dura mais de 30 anos. Hoje, é Nayara quem se dedica integralmente aos cuidados do marido.
“Minha irmã, que é quem está cuidando dele 24 horas por dia, ela não faz mais nada da vida, ela não consegue nem ir ao pilates, porque ela cuida dele 24h. Ela só, por exemplo, tem um tempinho pra ela, depois que coloca ele na cama”, disse a jornalista, bastante emocionada.
O radialista Dilton Coutinho, que comanda o programa Acorda Cidade e também já trabalhou com Beto, deixou uma mensagem de carinho e esperança à família.
O que precisar, eu tô aqui, viu? Tô aqui porque não só você Lineia, a sua família, como o Beto, eu tive a oportunidade de trabalhar, a gente trabalhou junto e sei da figura extraordinária que ele é e é só pedir a Deus que conforte toda essa família com esse momento muito difícil”, comentou o radialista.

Como ajudar Beto Fernandes
A campanha recebe contribuições de qualquer valor por meio de Pix. Os recursos serão destinados a ajudar nas despesas com os cuidados e o acompanhamento permanente do radialista.
Chave Pix: ajudabetofernandes@gmail.com
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