4 de October de 2026
Processador quântico produz 1 milhão de amostras em 19 segundos em teste que exigiria décadas de produção – Imagem: Divulgação/IBM

A IBM usou o chip quântico Nighthawk r2 em uma tarefa que levaria cerca de 110 anos para ser concluída em um computador comum. 

O processador concluiu o trabalho em 19 segundos, por meio da plataforma de computação em nuvem que a empresa já oferece aos clientes.

O teste usou uma técnica chamada amostragem de circuito aleatório, método aplicado para medir se máquinas quânticas conseguem superar computadores tradicionais em determinadas operações. 

A pesquisa ainda não passou por revisão por pares e está disponível no arXiv.

Processador quântico produz 1 milhão de amostras em 19 segundos em teste que exigiria décadas de produção

O Nighthawk r2 tem 120 qubits, unidades que armazenam informação nesse tipo de máquina e equivalem ao bit dos computadores comuns. 

Desses, 61 foram selecionados para rodar circuitos de complexidade crescente, até chegar a 40 ciclos de operações.

A melhor marca foi registrada com 36 ciclos e 918 portas, que combinam pares de qubits durante o processamento. Nesse arranjo, a máquina gerou 1 milhão de amostras em 19 segundos. 

A equipe não precisou de um equipamento ajustado sob medida para o experimento: usou o fluxo padrão oferecido pela plataforma em nuvem da IBM.

Essa escolha facilita a checagem por terceiros. A equipe disponibilizou os circuitos, as amostras geradas e o código de análise, permitindo que outros pesquisadores repitam o teste e confirmem os números.

A equipe não executou o mesmo programa diretamente em um supercomputador para medir a diferença, porque isso exigiria tempo demais. 

Por isso, recorreu a um cálculo chamado contração de redes tensoriais, que estima quanto esforço uma máquina clássica precisaria para imitar o comportamento do processador quântico.

O resultado apontou a necessidade de cerca de 1,2 × 10²⁷ operações para reproduzir 1 milhão de amostras produzidas pelo chip. 

Com base em uma projeção conservadora do desempenho sustentado do Frontier, esse volume de cálculo equivaleria a 110 anos de processamento contínuo.

Vantagem ainda depende de contexto

Esse número não deve ser lido como um teto definitivo para a capacidade dos computadores tradicionais. 

O próprio cálculo varia conforme o método escolhido para simular o circuito, e os autores do estudo reconhecem que algoritmos mais eficientes podem reduzir bastante essa distância no futuro.

Ainda assim, a demonstração foi feita em hardware comercial, acessível via nuvem, e não em um laboratório fechado com equipamento exclusivo. 

Enquanto o trabalho aguarda revisão por pares, o material publicado permite que grupos interessados confiram os dados e testem os limites reais dessa vantagem.